É diferente, mas é bom

pung

Eu tive apenas um relacionamento até agora, que durou dez anos. Começamos a namorar na faculdade e terminamos como jovens adultos, já construindo uma vida. Eu não conseguia imaginar a minha vida com outra pessoa. Eu não queria a minha vida com outra pessoa. Meu ex namorado parecia um checklist de tudo que sempre pedi ao Universo, passando desde o fato de ser alto até ter uma família incrível, que eu amo até hoje. Terminamos não por falta de amor, mas porque o amor virou amizade.
E doeu. Muito.
Doeu abrir mão de um futuro que eu já imaginava certo, abrir mão dos nomes que escolhemos pros nossos filhos. Doeu deitar pra dormir sem o abraço dele nos fins de semana, doeu me despedir das nossas piadas e histórias que faziam tanto sentido e que eu adorava contar pros outros. E quando parou de doer por ele e por nós, começou a doer a ideia de ter que me abrir pro mundo novamente.
Acontece que não existe outra forma de viver que não seja se abrindo pro mundo. Eu não poderia passar a vida presa ao passado e depois de um tempo, eu queria muito uma nova história, um novo abraço, queria compartilhar sonhos e dar risada de piadas bobas, queria companheirismo. Adoro estar sozinha, não preciso de um companheiro, mas queria muito que aparecesse um.
E foi então que precisei entender que quem quer que aparecesse, não seria uma cópia do meu ex namorado. E ainda bem por isso.
Meu ex é uma pessoa incrível, mas também é meu ex, por milhões de motivos nossa história juntos acabou, se eu quisesse alguém com quem viver exatamente as mesmas coisas não seria justo com essa pessoa. Não seria justo comigo. Se já sei o final do filme, perco a chance de deixar que ele me surpreenda. Uma das melhores coisas de se apaixonar são as descobertas, as borboletas no estômago, se eu me prendesse a um roteiro, querendo reproduzir numa nova história a antiga, ou nem mesmo deixando nada começar por não achar que serve esse meu roteiro, eu me privaria de descobrir, me privaria de amar.
Estou escrevendo isso porque sei que muitos de nós temos um roteiro querido do qual é difícil se desprender. Talvez você saia com alguém e ele não ria da sua piada favorita ou responda determinada pergunta do jeito que você esperava ou do jeito que "aquela pessoa" costumava fazer. Talvez não tenha os mesmos olhos azuis, nem chore nas mesmas partes do filme que você, mas pode ser a pessoa que vai te fazer descobrir interesses novos, que vai te contar uma piada nova ótima e te ensinar a gostar de dormir de conchinha de novo. Você não sabe, ninguém sabe. Só podemos nos lembrar sempre que não é porque é diferente do que imaginávamos, ou melhor, do que idealizávamos, não possa ser bom.
Vou te contar um segredo. Você também pode não ser o roteiro perfeito de alguém, provavelmente não é, mas quando vale a pena mesmo, a gente reescreve o roteiro, muda a trama do filme, começa tudo de novo. Só não vale fechar o livro na primeira página.
porteu Carolina de Biagi é consultora de estilo e formada em organização de casamentos pelo SENAC. Além de escrever pro blog O Pedido, ela também escreve sobre estilo, moda e auto - estima no blog Um Unicórnio Fashionista. (www.umunicorniofashionista.wordpress.com) e no Volta, Carolina ( www.voltacarolina.wordpress.com)